Ânsia de ver,
o cheiro da solidão consolidada bate forte.
O barulho da porta rachada,
a sensação do pensamento desconexo,
lembra até um ritual de morte.
Gritando para aliviar as dores,
dores de lembranças.
Dentro desse cubículo-prisão,
vejo uns poucos vultos,
que apenas passam,
ou então,
vêm e vão.
A água que recebo fede e é turva,
a comida parece se mover dentro de mim.
Convivo bem,
com meus bichos e os vermes,
vermes humanos e vermes nem tão humanos assim.
Quando o desespero insiste em voltar,
me bato me corto me mato,
espalha-se sangue e sofrimento por todo lugar.
Mas aí vem a agulha,
vem pensando que a gente não a sente,
e na hora que a ira pensa em dominar,
vem o escuro e o vazio e consomem a mente.
É assim,
do jeito que o homem sempre fez,
e sua vida vai se perdendo,
passando,
um pouquinho de cada vez.
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