segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Final - do meio - do começo

"Mito era o nome que mamãe dava pra alguns dos personagens daquelas estórias que ela me contava sempre. Parece que tudo isso foi ontem...já te contei essa estória?"

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"...era, era isso mesmo, assim que ela falava, com esse carinho todo. Lembro de como ela descrevia a lua, a rua, o cheiro da flor. O cheiro da flor ela me mostrava todo dia, quando me dava aquele beijo gostoso, regado àquelas ruguinhas que eu tanto gostava e aquele perfume de bebê que ela usava 24 horas por dia. Saudade mesmo eu tenho daquelas mãos gordinhas, que me sustentavam sempre. Me sinto tão triste de não poder mais vê-la, de não poder mais escrever sobre ela..."

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"Você sabia que todas aquelas novelas eram pra mamãe? As personagens todas eram ela...ninguém sabia, e eu não queria que soubessem. Mas fiquei velho e perdi a noção do que podia e não podia. Do que queria ou não. Eu quero amor. Eu quero é mamãe. Aquela mão era meu amor. Cadê os mitos? Cadê mamãe? Cadê minha pena?"

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