terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O deslocado

"Quem é você?"

"Eu sou Maria, daquela festa na sua casa."

"Que Maria, que festa na minha casa?"

"Ai, ai, você sempre tenta essa tática de fingir que não sabe de nada, não ache que assim eu vou lhe soltar dessa cama não, seu danadinho."

"Tentando tática?! Você ta muito é doida! Fumasse?! Cheirasse?!"

"HAHA! Essa você nunca tinha tentado, se fingir de desesperado...Mas, foi até boa!"

"Que boa o quê! Vai tomar no cu nada! Me solta dessa porra logo!"

"Olhe, você abaixe esse tonzinho de voz se não eu vou dar aquele remedinho que você tanto gosta!"

"Dá logo essa porra e para de me pertubar que eu não agüento mais isso não!"

"Eu vou dar mesmo, agora depois não venha dizer que eu não avisei!"
...
(5 horas após a aplicação)

"Que dor de cabeça é essa?! Tem alguém aí? Alô! Ô de casa!"

"Ei ei ei! Sem esforço mocinho, sem gritos também."

"Quem é você?"

"Marcos, da festa na sua casa."

"Que Marcos mermão? Que festa?"

"Olha, vê bem, Maria já me disse que hoje você tá todo nervosinho, pro seu bem é melhor ir se acalmando, que quanto mais calmo for, mais rápido e mais indolor vai passar."

"O quê que vai passar mais rápido? O quê vai ser mais indolor?! Por favor, me explique alguma coisa que eu não tô entendendo nada!"

"Olha meu amigo, parece que tu tas ficando surdo, porque eu acabei de dizer que era pra falar baixo e que eu não queria esses seus joguinhos e chiliques não!"

"Eu desisto dessa porra! Vocês tão me endoidando!"

"Tá bom, a paciência esgotou, mais remedinho!"

...

Quando ele acordou estava em casa e todos o olhavam como se não o vissem a milhares de anos. Não entendeu nada. Mas isso, ele já estava acostumado.

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