sábado, 18 de outubro de 2008

Que droga!

Quem via Carlos pelos bares mais acabados e transitando pelas rua mais imundas da cidade, não imaginava que no passado, não tão distante,ele tinha sido um grande jogador, ganhara muitos títulos e já dera muita alegria a várias pessoas, inclusive familiares desses que passavam na rua e o olhavam com desprezo, pensando:"porra!que cara seboso do caralho!".Carlos não nasceu em berço de ouro mas foi criado num boa família de classe média, mesmo assim, nunca teve nada fácil, na época de sua juventude, a classe média brasileira não passava por bons momentos, então teve que lutar e ir atrás de tudo o que queria,começou entregando jornal porque precisava ajudar na casa, mas seu sonho mesmo era ser jogador.Foi lá, nesse jornal, que ele conheceu um grande jornalista esportivo que o ajudou a arranjar um teste num grande clube da cidade.Foi nesse clube que Carlos fez história, durante 15 anos ele jogou lá e conseguiu vários títulos,chegou até a seleção brasileira mas nunca saiu do Brasil,porque não quis, vale ressaltar.Eu estaria mentindo se lhes dissesse que ele não ganhou muito dinheiro.Ganhou.Como bem disse, ganhou, resumindo, já se foi tudo.Na época em que jogava, Carlos só queria mesmo jogar, curtir a vida e todas as regalias que o dinheiro podiam trazer.Hoje, o resultado pode ser visto naquela rua de sempre:bebedeiras, roupas velhas e nem um lugar pra dormir.Quando todo mundo passa por ele toda noite e pensa que aquela cena é a coisa mais deprimente do mundo, não sabe que mais deprimente que a cena é a vida dele, que mais deprimente ainda é o sentimento dele em relação a vida e mais ainda a sensação de não poder fazer nada pra mudar aquilo.PORRA!Carlos era uma pessoa como qualquer outra, não matou, não roubou, nunca quis ferrar de verdade com ninguém, aproveitou demais, ouso dizer que até por inocência, ferrou foi com a própria vida.Vida que podia ter sido minha, que podia ter sido sua e, na verdade, foi de todos nós.

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