sexta-feira, 3 de outubro de 2008
O Machão
"Uma cerveja!"Foi esse pedido que Marcos fez ao sentar no balcão do bar, sentou todo arreganhado, mostrando pra todo mundo que tinha um saco no meio daquelas pernas, coisa que ele dava mais valor do que merecia.Na verdade, Marcos dava muito valor ao seu dotes masculinos, ele se achava um verdadeiro garanhão reprodutor.Talvez isso tivesse uma explicação,e, realmente tinha.Ele já tinha passado por muita coisa na vida, tanta coisa que os fatos chega se enroscam na minha cabeça.Quando ele era pequeno viu seu pai chegar bêbado várias vezes e violentar sua mãe na sua frente, viu sua mãe entrar em depressão e morrer de uma doença que até hoje não se têm explicação, viu seu pai, que apesar de tudo amava a mulher,perder tudo no jogo depois que ela morreu.Seu pai, que não direi o nome pois, se Marcos não pronuncia mais, não sou eu que irei fazê-lo, enfim, seu pai o entregou a mãe da mulher, no caso, sua avó e não disse nenhuma palavra, foi embora e nunca mais deu sinais de vida.Após se formar numa universidade de engenharia, ele fez uma prova para trabalhar numa multinacional, foi aprovado, mas na fase de entrevistas foi eliminado por ser negro.Depois de conseguir um emprego de funcionário publico, ele finalmente pôde casar com Maria, a vizinha da casa da sua avó, que namorava com ele desde que ele, aos 13 anos, mudou-se, quer dizer, foi entregue a mãe da sua mãe.Durante fartos 3 anos eles se amaram, mesmo com o dinheiro pouco, eles se amavam, e , muitas vezes matavam a sede na saliva ou se alimentavam de seus próprios corpos.Até o dia em que Maria lhe traiu com o leiteiro, no quintal de sua própria casa.Todos esses ocorridos deviam ter manifestado um sentimento de descrença, ou até lhe transformado numa pessoa melhor, mas não foi bem isso que ocorreu, Marcos se transformou na mesmas coisas que arruinaram sua vida, dormia com mulheres casadas, violentava outras tantas, batia em meninos de rua que estavam sozinhos e bebia muito, sem parar, como fazia seu pai.E assim ia vivendo, dia após dia, sem pensar no que aconteceria com ele no outro dia, só importava o momento.Não se abalava com nada, nem com a morte da princesa Diana e muito menos com o escândalo do mensalão.Certo dia, ao visitar sua vó, meio alcoolizado como sempre, recebeu dela uma carta meio amarelada, abriu, leu, leu de novo e releu mais uma vez, parecia que ele não acreditava no que estava escrito com aquele traço de caneta que ele bem conhecia, ele lia e relia na esperança de que numa dessas lidas as letras desaparecessem.Era uma carta do seu pai, pelo menos eu entendi era.Apesar das muitas leituras, seu rosto não se moveu um milímetro.E quando você meu caro leitor jurou que Marcos mudaria, sim, você jurou que ele mudaria, ele saiu de casa violentou 5 mulheres e meia, assim ele julgou a última, que, de fato, era meio franzina, bateu em mais 3 meninos de rua, entrou no primeiro bar que viu, sentou no balcão e, por fim, fez o pedido que nós já conhecemos:"Uma cerveja!".
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2 comentários:
eu e essa minha mania de jurar que as pessoas vao mudar.
jurar a que, a quem?
pois é! Marcos não mudou..
existem tantos Marcos.
ainda bem que "marcoS" já tá no plural.
sempre o leiteiro... por que sempre o leiteiro?
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