domingo, 12 de outubro de 2008
O Antitético
Júlio se embebedava com seus amigos em um bar da área nobre da cidade enquanto José estava em uma reunião do trabalho.Júlio estava muito bem no emprego que tinha conseguido recentemente, era assessor de imprensa de uma das maiores empresas do país.Por sua vez, José estava na corda bamba, estava por um triz na firma de assessoria que trabalhava há 30 anos e a qual ele tinha dedicado muitas horas até da sua convivência familiar.Na verdade, na casa de José nada ia bem, sua relação com a mulher estava desgastada, seu filho tinha saído de casa fazia pouco tempo e ele estava na fase em que nada parecia dar certo, em que se passa pela cabeça do homem a cruel dúvida de se ele é útil ou não para a sociedade.A sociedade, sempre ela, ali, no nosso encalço, ela, que não nos dá sossego e,além disso, nos cobra, as vezes, muito mais do que podemos dar.Júlio, pelo contrário, tinha largado a casa dos pais e se sentia cada vez mais dono de si, ganhando seu dinheiro, pagando suas contas e tudo mais que se possa enumerar.Mal sabia Júlio que ele fazia tudo aquilo por auto-afirmação, ou melhor dizendo, pra se afirmar perante a sociedade.Sim, ela novamente, mas cruel e maquiavélica do que nunca.Pra falar a verdade, se não fosse por ela, Júlio ainda estava com os pais, ele os adorava, e não só como pai e mãe, como amigos mesmo, mas Júlio só sabia disso no inconsciente, ou seja, em termos práticos ele não sabia.Depois de tomar todas e mais algumas Júlio se despediu das pessoas com um largo sorriso, falso, mas sorriso, pegou a chave do seu carro de última geração, sentou no macio banco de couro, inspirou por duas vezes e partiu pelas ruas mal iluminadas da cidade.Naquele mesmo instante, depois de uma dura e cansativa reunião, com todo cansaço e preocupação que tinha,José deu partida no seu carro já fora de linha.Lá ia Júlio pela avenida quando o sinal amarelo aparece, ele não freia, ao contrário, acelera, seu reflexo já não era dos melhores, não dá tempo.O sinal fica vermelho a 15 metros dele passar.Não dá tempo.Um carro já estava na sua frente quando passou, não deu pra desviar.José vinha tranquilo até a hora em que depois de passar no sinal verde um carro bate no seu carro e o acerta em cheio.Não dá tempo.Coincidência? Acaso? Destino? Sociedade? Eu? Você? De qual destes é a culpa? Vá saber.José e Júlio são pai e filho.
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2 comentários:
des(a)tino.
me arrepiei,rá!
A culpa é sua, toda sua!, seu porra! Quem mandou escrever infelicidades?
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