à Orwell, gênio sem igual
Não atende,
não atento,
nada sabe em que lugar está,
o tempo nessa dimensão é detalhe.
Não se pode ver através do Aparelho,
o vazio cresce.
Eu não sei onde deixei minha conexão,
aquela,
com o mundo,
acho que esqueci em algum canto do quarto,
perto das desilusões,
em cima do sofrimento,
bem ali,
em lugar algum,
em todas as partes.
Eu que sempre cantei a vida,
o verso,
me vejo pobre poema,
sujo,
triste,
preso em tudo que não valorizo,
em toda mediocridade,
no berço da canção maldita,
mal dita,
a hora que pensei ser,
em vez de fazer-me ser.
Vivo só,
tenho impressões,
e nada mais.
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