sexta-feira, 4 de março de 2011

Treme

Tudo teima em ser assim. Os momentos, antes dispersos ou antes organizados por ordem alfabética, se perdem e se confundem. Já não se sabe quando algo começou, mudou, aconteceu ou terminou. Tudo é uma coisa só. Uma grande bola de neve cheia de coisas que nem sempre agradam muito às lembranças ou às estórias. Durante o tempo em que as coisas acontecem, você nunca pensa que tem que fazer assim ou assado, nunca pensa que amanhã aquilo pode não existir. E quando digo não existir é não existir mesmo, não tem nada de metáfora. Não sei como o mundo funciona assim, baseado nos conceitos e status que você impõe e impõem a você. A som de Tim Maia tudo fica mais intenso, o sofrimento, a alegria, a vontade de deixar de ser assim, a calma que preciso pra olhar ao redor. Olhando ao redor vejo que tudo é normal, as coisas acontecem anti-naturalmente, mas não é assim que é agora? As coisas forçadas, no fim das contas, não são as escolhidas para mudar o mundo? É...talvez essa pergunta seja só retórica, ou talvez ela já esteja respondida na minha cabeça. Seja o que for, pouca diferença faz. Me dizem a todo instante: "É Carnaval, velho! Relaxe, se divirta!". É Carnaval? Onde é Carnaval? Dentro de mim mesmo não. E se não nasce dentro da gente, algo realmente existe? Creio que não...quanto a relaxar, isso é palavra desconhecida no meu reduzido vocabulário das ações rotineiras e cotidianas. Divertir sempre, mas a diversão é como droga, na hora a sensação é fantástica, você acha que nunca vai terminar, flutua, dilata, mas depois, do nada, passa o estado de espírito. Você se pergunta: "E agora?". E nesse exato instante mil outras perguntas vêm de uma vez só, de forma que só o chiado do pensamento é realmente identificável. E o vazio que mora naquela toca já há um bom tempo. Não um tempo bom, mas um tempo duradouro. E parece que quanto mais mora aqui mas faz reformas e conquista espaços. Não quero ser todo feito de vazio. Tenho medo do vazio. Tenho medo de mim. E do mundo. Principalmente do mundo que eu criei.

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