segunda-feira, 5 de julho de 2010

Em cena

Simples era,
assim chamava,
a dança o toque a seda,
o dançante tocar acetinado,
meus dedos correndo formas e fazendo preces que eu nunca ousei sonhar.

O mistério era sempre outro,
como cada abrir de olhos,
como cada Sol diferente que eu vi entre você,
entrar em você,
isso era o sol,
sol da música que agitava meu coração,
que me pedia alucinado:
tenha dó.

Não tive dó,
dei ré,
perdemos a magia,
e a tempestade anunciava os passos no corredor gelado.
Sofria só de imaginar seu roçar na minha pele,
pele essa que nesse momento nem mais existia,
eu tinha deixado de ser,
mas tinha me esquecido de me avisar.

Ria e me divertia como quem vive tudo pela primeira vez,
não sei se era assim,
mas fui julgado como tal,
farsante de um destino ainda não cumprido,
e que provavelmente nunca se finalizaria.

Prefiro hoje,
nessa mesa de bar,
não lembrar desse personagem que em prosa cantei,
e em cena me vesti,
gostaria apenas de pedir aquela flor que ficou no seu cabelo,
ou foi no dela,
enfim,
amo vocês de forma igual,
a sentada na primeira poltrona,
a mulher com riso frouxo do fundão,
e essa linda menina chorona,
são todas personagens desta vida,
ou vidas com todas personagens.

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