terça-feira, 18 de novembro de 2008

O beco, a moça, a flor

Que belo dia fazia, que belo o beco ficava quando o dia belo se fazia. Que bela moça andava por tal beco e quanta beleza tinha na flor que neste momento estava na sua frente. Elas se miraram, e por algum tempo, nem pouco nem muito, se fitaram profundamente.Na cabeça da moça veio tudo que ela tinha passado nos últimos dias e, talvez por causa disso, ela não conseguia crer naquela flor que era infinitamente bela, mas que não se encaixava naquele beco, que apesar de belo naquele dia, não era nada deslumbrante em dias comuns. A dúvida a consumia, roía suas entranhas. Não bastasse a dúvida, a beleza da flor começava a provocá-la, a chamá-la para um duelo. Será que era um duelo, ou será que era aquela flor a solução? A moça se decidiu, pisou na flor e seguiu em frente, já tinha perdido parte de sua vida por acreditar em flores como aquela, que exalavam aquela beleza, aquela falsa delicadeza, tudo isso para sugar sua vida como seiva logo em seguida. A moça o fez, assim como fizeram com ela, que um dia já havia sido uma flor, mas como não era mais uma flor, não conseguia crer nelas, não por maldade, simplesmente não conseguia. Pelo menos agora esse modesto e belo beco, mesmo que apenas por hoje, estará em equilíbrio, como ele deveria ser sempre, sem fadas, duendes e, muito menos, flores. Ela pensava assim, e assim saiu, com a convicção de não apenas de ter vencido um ser irreal, sobrenatural que era a flor, mas além disso, com a certeza de que fez o bem pro beco e pra toda a existência humana.

Um comentário:

transparessencia disse...

esse 'bem' que ela fez à humanidade, me atingiu de forma inversa.