segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Chapéu brilhante

Em um grande centro do continente africano acontece uma feira, feira essa direcionada totalmente para os negros, quer dizer, para os pobres, mas aqui uma coisa quase implica na outra, uma vez que quem é rico por aqui são os ingleses (não necessariamente ingleses, assim são chamados qualquer europeu que por essas bandas passe) e a meia dúzia de negros que traem seu povo pra se juntar aos "ingleses". Enfim, no meio dessa feira pequenas pernas brancas e um chapéu novinho chamam atenção dos vendedores de inhame e também dos idosos(idosos de 40, 40 e poucos anos, aqui na África se envelhece mais cedo) que iam para feira apenas para passear, quebrar com a monotonia da vida. Para ele não fazia diferença os olhares, ele tinha coisas mais importantes para ocupar sua atenção, a criança inglesa, francesa, sabe-se la de onde ele era, na verdade nessa parte do mundo as diferenças e conflitos entre vizinhos europeus são esquecidos, aqui, são todos irmãos, enfim, a criança estava se sentindo extremamente feliz, talvez pelos muitos sorrisos que ele via na face daqueles feirantes, ele não conseguia colocar na sua pequena cabeça como alguém trabalhava e ria ao mesmo tempo, ele tirava isso pelo seu pai, que era chato sempre, mas infinitamente mais chato quando estava trabalhando.
Ele tinha ido parar lá fugido da caravana que sua família estava.Seu pai era cônsul e a idéia de ser procurado por fuga lhe trazia uma liberdade indescritível e fazia com que a felicidade se transmitisse a cada parte do seu corpo.Ele queria viver ali, mas não ali na África, ali na feira, queria vender inhame pra poder rir eternamente, lá poderia ter amigos e muita diversão sempre, coisa que na sua casa e seguindo a formação que o seu pai queria, ele nunca ia ter.
Por isso o brilho do seu chapéu chamava tanta atenção. Na verdade, eu estive naquela feira depois e perguntei aos feirantes do menino de chapéu brilhante e muitos deles me disseram que não era o chapéu que brilhava, que na visão deles o que brilhava com aquela claridade quase sufocante mas ao mesmo tempo tão sutil eram seus olhos, na verdade era difícil distinguir.

2 comentários:

André Valença disse...

Valeu, cara! Ahh, e, que mal lhe pergunte: quem é?

André Valença disse...

Me pegou por trás, hein?
Ai, gostei!

Ah! Gostei do texto! Tu pegasse bem a parte social de Márquez, enquanto eu fiquei com a surreal. Essas coisas de feiras, crenças populares e impressões pessoais são bem ao estilo dele!