quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Depois de hoje

Você não entende nem nunca entendeu, não acho que seria agora que as coisas seriam diferentes. Todo mundo fala em rancor, em ódio, em raiva, em mil palavras que foram criadas pra designar coisas meio imprecisas, mas que sabe-se que remetem a coisas ruins, que mexem e causam aquelas sensações meio inexplicáveis. A gente não sabe em que altura tudo ficou assim, quando as brincadeiras perderam a graça, quando a magia deixou de encantar, ou simplesmente quando o sorriso se perdeu no meio de todo o resto. Passei dias (e noites) vislumbrando o que era possível fazer, pra assimilar tudo isso, pra digerir, buscando alguma forma de não ter aquilo dentro de mim. Apesar de eu saber que não conseguiria me livrar daquilo. Eu não queria me livrar de você. Falo sempre de coisas que eu busco, dos meus planos utópicos, dos meus países inventados, das minhas ideias descontextualizadas, e o velho pseudo-sorriso vai acompanhando tudo, camuflando tudo. Não sei se me vêem assim, se me entendem, ou se tentam ao menos. Palavras, essas sim nos causam apego, e queremos ouvir algumas sempre, ou ouvimos muitas sempre, muitas vezes sem o acompanhamento do olhar condizente ou do sorriso pertinente. Cobro muitas coisas, acho que principalmente de mim, ou de todo mundo. Hoje eu tentei entrar mudo e sair calado, evitar que tudo aquilo que eu não consegui, que nós não conseguimos dar conta voltasse a perseguir, como tem feito ultimamente. Muita coisa pra ser dita, que tem que ser dita, mas que nunca o será. Esquecemos que nos esquecemos, que passamos, a cada dia que vai se arrastando, a esquecer mais o outro, a criar outros papéis e parecer satisfeitos com eles. Não nego coisas boas, mas tenho minhas dores, e essas, me acompanham, ainda hoje, aonde vou. Seu sorriso não mais.

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