quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Desabafo batizado de crônica, reflexões simuladas por palavras


Nessa tal altura da vida, na dos vinte e poucos anos, é natural refletir demais sobre a vida, entrar em crises existenciais acerca dos motivos para estar aqui habitando esse planeta. Possuímos algum talento (seja lá o que isso signifique)? De onde viemos?  Pra onde vamos? Enfim, as perguntas todos conhecem, as respostas, garanto que ninguém conseguiu uma equação pra solucionar matemática e objetivamente.

Me localizando nesse ponto da minha humilde existência, no auge dos meus 23 anos, comecei a pensar em como tinham chegado até aqui, porque tinha feito tais escolhas, e tentando visualizar o que mais ou menos poderia vim pela frente nesse caminho. A primeira conclusão não foi sobre nenhum fenômeno advindo da infância não, infelizmente não consegui ter uma epifania clariceana nos meus pensamentos. Foi sobre uma situação genérica, que muitas pessoas, principalmente as da classe média se dão ao luxo – ou não – de enfrentar: o vestibular e a escolha que vai te perseguir durante toda vida.

Comecei pensando que éramos muito novos e imaturos quando fomos ou seremos colocados diante dessa prova. Mas será que algum dia, em alguma idade, toda pessoa saberá o que nasceu pra fazer? Ou melhor, existe isso de nascer pra ser algo ou todo mundo pode ser moldado e gostar de várias coisas de áreas distintas? Nem se apresse achando que eu tenho a resposta, só levanto a pergunta pra ver se serve de algo como serviu pra mim.

No meu caso, apesar de pensar no meu complicado dilema na época, na dúvida entre me tornar um físico, apaixonado pela física elétrica, ou enveredar pela comunicação social – escolha que acabei fazendo através do jornalismo –, o que mais tomou minha mente foi: quanta coisa eu não conhecia e não tinha contato naquela época e hoje faz parte efetiva da minha vida cotidiana. Todo meu universo atual é recheado de elementos que praticamente inexistiam ou eram tratados com outro olhar por mim.

Explico pra esclarecer. De uns tempos pra cá, a música, por exemplo, passou de um hobby para uma possibilidade de trabalho. Presente ela sempre esteve, mas a forma como se encara altera totalmente não só a relação, mas o próprio olhar da pessoa sobre todos os outros estímulos. Talvez se essa situação se desses anos atrás, eu tivesse alterado meu caminho, por outro lado, talvez eu só tenha chegado aqui hoje, nesse ponto, por justamente ter andado os caminhos que andei e conhecido quem conheci – muitas dessas personalidades importantes vindas justamente da universidade.

Se por um lado, sou a cada dia menos jornalista do ponto de vista formal, pois desacredito no jornalismo que me é apresentado diariamente, sou cada dia mais humano e com a mente mais aberta por ter conhecido tantas histórias e situações peculiares no curso de jornalismo. Toda essa vaguidão de informações, é mais pra dizer que o caminho é o que é por si mesmo, não dá pra saber se você estaria melhor ou pior, você estaria sim, com certeza, diferente.

Mas a parte prática disso – sim, nem só de divagar sobre o tudo e o nada serve a vida – é ter pensado seriamente em como tudo seria diferente se todos, quando pequenos, em formação, antes de se deparar com tal escolha de vestibular (que por mim não existiria, mas a discussão só cabe em outro texto), pudessem ter experiências de vivência real acerca de várias áreas. Imagine se a criança pudesse consertar tubulações, brincar com um instrumento musical, estudar sobre as sociedades, atuar, dançar, pintar, somar, dividir, diagnosticar e poraí vai. E além disso, que tudo fosse visto como possuindo o mesmo valor, degustado com a mesma abertura, incentivado por todos com a mesma intensidade.

Se você chegou até aqui nessas palavras que julgaram um dia poder ser uma crônica, mas tomada pelo esquentar de um coração inquieto com tantas imposições diárias, semanais e anuais, só espero ter sido não entendido, mas abraçado. A conclusão de tudo – até o momento, porque a cabeça-metralhadora dos tempos modernos não para – é apenas para que tudo seja saboreado com a gostosura que se merece, e que hoje estamos aqui e assim, e que apesar do passado merecer reflexões, o alterador desse mundo, dessas nossas vidas, são nossos vários presentes e a forma como enxergamos eles e o que pegamos e fazemos com eles.

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