Nessa tal altura da vida, na dos
vinte e poucos anos, é natural refletir demais sobre a vida, entrar em crises
existenciais acerca dos motivos para estar aqui habitando esse planeta.
Possuímos algum talento (seja lá o que isso signifique)? De onde viemos? Pra onde vamos? Enfim, as perguntas todos
conhecem, as respostas, garanto que ninguém conseguiu uma equação pra
solucionar matemática e objetivamente.
Me localizando nesse ponto da
minha humilde existência, no auge dos meus 23 anos, comecei a pensar em como
tinham chegado até aqui, porque tinha feito tais escolhas, e tentando
visualizar o que mais ou menos poderia vim pela frente nesse caminho. A
primeira conclusão não foi sobre nenhum fenômeno advindo da infância não,
infelizmente não consegui ter uma epifania clariceana nos meus pensamentos. Foi
sobre uma situação genérica, que muitas pessoas, principalmente as da classe
média se dão ao luxo – ou não – de enfrentar: o vestibular e a escolha que vai
te perseguir durante toda vida.
Comecei pensando que éramos muito
novos e imaturos quando fomos ou seremos colocados diante dessa prova. Mas será
que algum dia, em alguma idade, toda pessoa saberá o que nasceu pra fazer? Ou
melhor, existe isso de nascer pra ser algo ou todo mundo pode ser moldado e
gostar de várias coisas de áreas distintas? Nem se apresse achando que eu tenho
a resposta, só levanto a pergunta pra ver se serve de algo como serviu pra mim.
No meu caso, apesar de pensar no
meu complicado dilema na época, na dúvida entre me tornar um físico, apaixonado
pela física elétrica, ou enveredar pela comunicação social – escolha que acabei
fazendo através do jornalismo –, o que mais tomou minha mente foi: quanta coisa
eu não conhecia e não tinha contato naquela época e hoje faz parte efetiva da
minha vida cotidiana. Todo meu universo atual é recheado de elementos que
praticamente inexistiam ou eram tratados com outro olhar por mim.
Explico pra esclarecer. De uns
tempos pra cá, a música, por exemplo, passou de um hobby para uma possibilidade
de trabalho. Presente ela sempre esteve, mas a forma como se encara altera
totalmente não só a relação, mas o próprio olhar da pessoa sobre todos os
outros estímulos. Talvez se essa situação se desses anos atrás, eu tivesse
alterado meu caminho, por outro lado, talvez eu só tenha chegado aqui hoje,
nesse ponto, por justamente ter andado os caminhos que andei e conhecido quem
conheci – muitas dessas personalidades importantes vindas justamente da
universidade.
Se por um lado, sou a cada dia
menos jornalista do ponto de vista formal, pois desacredito no jornalismo que
me é apresentado diariamente, sou cada dia mais humano e com a mente mais
aberta por ter conhecido tantas histórias e situações peculiares no curso de
jornalismo. Toda essa vaguidão de informações, é mais pra dizer que o caminho é
o que é por si mesmo, não dá pra saber se você estaria melhor ou pior, você
estaria sim, com certeza, diferente.
Mas a parte prática disso – sim,
nem só de divagar sobre o tudo e o nada serve a vida – é ter pensado seriamente
em como tudo seria diferente se todos, quando pequenos, em formação, antes de
se deparar com tal escolha de vestibular (que por mim não existiria, mas a
discussão só cabe em outro texto), pudessem ter experiências de vivência real
acerca de várias áreas. Imagine se a criança pudesse consertar tubulações,
brincar com um instrumento musical, estudar sobre as sociedades, atuar, dançar,
pintar, somar, dividir, diagnosticar e poraí vai. E além disso, que tudo fosse
visto como possuindo o mesmo valor, degustado com a mesma abertura, incentivado
por todos com a mesma intensidade.
Se você chegou até aqui nessas
palavras que julgaram um dia poder ser uma crônica, mas tomada pelo esquentar
de um coração inquieto com tantas imposições diárias, semanais e anuais, só
espero ter sido não entendido, mas abraçado. A conclusão de tudo – até o
momento, porque a cabeça-metralhadora dos tempos modernos não para – é apenas
para que tudo seja saboreado com a gostosura que se merece, e que hoje estamos
aqui e assim, e que apesar do passado merecer reflexões, o alterador desse
mundo, dessas nossas vidas, são nossos vários presentes e a forma como
enxergamos eles e o que pegamos e fazemos com eles.
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